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Como manter a cultura da empresa com equipes preferindo a distância

Pergunte aos executivos por que eles estão desesperados para ter os funcionários de volta aos escritórios, e verá que a produtividade – o principal parâmetro corporativo e a origem obsessiva inicial da ansiedade causada pela pandemia –, de repente, não tem nada a ver com isso. Muitos deles fazem lembrar Judith Carr-Rodriguez, a CEO da agência de publicidade FIG, sediada em Nova York. Ela ficou chocada com a maneira pela qual as coisas andaram bem quando sua equipe de 80 pessoas migrou para o trabalho remoto: na verdade, a empresa cresceu. Mesmo assim, resiste ao futuro próximo totalmente remoto devido ao componente indefinível que todo escritório tem. “Sei que as pessoas estão sendo produtivas. Mas será que elas estão aprendendo, crescendo, sentindo-se desafiadas? Minha preocupação é estarmos criando uma cultura em que as pessoas não estão se expondo tanto quanto se exporiam no escritório”, diz.

Sabemos agora que as pessoas foram freneticamente produtivas durante os lockdowns impostos pela covid. Uma pesquisa do Goldman Sachs de julho detectou que a produção por hora dos funcionários aumentou 3,1% em 2020, mais que o dobro da taxa de crescimento observada no ciclo econômico anterior. Mas os chefes têm pressionado intensivamente em favor do trabalho presencial desde que, como dizem, não sejam interpretados como deselegantes.

Seja como for, o que é a cultura do local de trabalho? Se alguém conversar com meia dúzia de teóricos de gestão, obterá meia dúzia de respostas diferentes. Alguns dizem que é um conjunto coletivo de convicções, comportamentos e pressupostos compartilhado por um grupo de pessoas que trabalham juntas. Outros acham que é o que os funcionários definem como sendo suas metas e valores e a maneira pela qual agem – o que nem sempre é a mesma coisa. O ponto em torno do qual todos os consultados concordam é que algum tipo de cultura se desenvolve inevitavelmente sempre que as pessoas passam o tempo juntas. “Surgem culturas, queira-se ou não”, diz o pesquisador de comportamento organizacional Amir Goldberg, da Faculdade de Pós-Graduação em Negócios de Stanford. “Não existem empresas que não tenham cultura.”

Entre os especialistas, há pouca dúvida de que migrar para ambientes integralmente remotos tenha mudado a cultura da empresa. As pessoas estão interagindo de formas novas e diferentes. Mas o que mais preocupa os chefes é o fato de eles terem agora menor percepção de quais são essas mudanças, por não poderem testemunhá-las fisicamente. E, mesmo quando efetivamente sabem o que está acontecendo, eles têm menos poder sobre as interações do dia a dia.

Não é totalmente absurdo ou egoísta os dirigentes se afligirem com essas coisas. Culturas fortes efetivamente aumentam o desempenho e são capazes de induzir as pessoas a trabalhar mais, mas também reduzem o assédio, o esgotamento por excesso de trabalho e a fraude. O que os entusiastas do escritório não entendem é que facilitar interações saudáveis no local de trabalho não requer os símbolos de status de uma sala de conferências ou de um prédio alto no centro na cidade.

“A cultura acontece em cada interação que as pessoas de sua empresa têm entre si, independentemente de serem presenciais ou não’, diz Matt Mullenweb, o fundador e CEO da produtora de software para a internet Automattic. Mullenwenweg tem bastante autoridade para dizer isso: a empresa dele opera sem uma sede há todos os seus 16 anos de sua existência. Seu fundador se tornou um tipo de sábio da era pós-escritório.

Mullenweg é o protótipo da história de sucesso de startup da geração conhecida como millennial (os nascidos de 1985 a 1994). Ele abandonou a faculdade para trabalhar em seu projeto secundário, a WordPress, plataforma de código aberto que é atualmente a espinha dorsal de muitas provedoras de conteúdo on-line. Um ano depois, ele abriu a Automattic, a mantenedora da WordPress.com, e contratou todas as pessoas que considerava melhores para função, onde quer que morasse. Seus primeiros funcionários trabalhavam a partir da Irlanda e do Texas. Desde então, o corpo de funcionários da empresa cresceu para mais de 1.800 pessoas, que trabalham de todos os continentes, com exceção da Antártida – e ainda não tem sede. Mullenweg circula entre Houston, São Francisco e Jackson Hole.

Ele não é nem um pouco fã de escritórios, e qualifica mesmo os mais legais de “uma experiência muito medíocre”, mas, de certa forma, diz algo que não destoa tanto do que dizem seus pares favoráveis aos escritórios. “Adoro pensar em cultura”, afirma.

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