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Demanda cresce e caminhoneiros recorrem a seguradoras

O segmento de transportes alavancou o setor de serviços, que fechou o primeiro semestre de 2022 com alta de 8,8%. Pegando apenas o recorte de junho, o transporte rodoviário de cargas e coletivo de passageiros foram os que mais contribuíram para os índices divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) neste mês.

O aumento de compras online, tendência durante o período mais crítico da pandemia e que segue em crescimento em 2022, ajuda a explicar o maior fluxo de transporte de cargas pelas rodovias. Segundo dados do índice MCC-ENET, desenvolvido pela Neotrust | Movimento Compre & Confie, em parceria com o Comitê de Métricas da Câmara Brasileira da Economia Digital (camara-e.net), a alta do e-commerce foi de 12,59% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado.

Ao mesmo tempo em que os números geram otimismo para a economia do país, a maior demanda por este trabalho provoca preocupação entre os especialistas devido a maior carga horária de serviço exigida dos caminhoneiros. Em pesquisa realizada pela CNTA (Confederação Nacional do Transportadores Autônomos) em abril, os profissionais autônomos da classe trabalham em média 13 horas por dia e 23 dias por mês.

A lei, no entanto, estabelece que os caminhoneiros devem exercer seu trabalho por 8 horas diárias, sendo permitido mais 2 ou 4 horas extras, dependendo de convenções coletivas. Este excesso, somado aos dados da pesquisa da CNT (Confederação Nacional de Transporte), de 2021, que mostra que apenas 28,2% das rodovias brasileiras apresentam estado ótimo ou bom, ajuda a explicar o número elevado de acidentes envolvendo caminhoneiros.

Para o presidente e fundador da Korsa, corretora de seguros especializada em gerenciamento de riscos e logística no setor de transporte, James Theodoro, o segmento é desvalorizado no país. “Como pode um setor tão importante continuar a ter problemas que perduram por décadas?”, questiona. “Má conservação das estradas, falta de fiscalização, alto índice de roubo de cargas, informalidade, tratamento desumano com os carreteiros autônomos. Como isso pode continuar a ocorrer?”, lamenta.

Os números corroboram com a crítica do empresário. Em 2021 foram registrados 63.447 acidentes em rodovias federais brasileiras, um aumento de mil casos em relação a 2020. Ao todo, 5.391 pessoas morreram no ano passado, 100 a mais do que no ano anterior. Do total de óbitos, 854 eram ocupantes de caminhões, o que representa 15,9% do total. Para efeito de comparação, motoristas e passageiros de ônibus representam 3,2% do total, com 170 mortes. Os números são da Polícia Rodoviária Federal.

Em busca de mais respaldo, muitos profissionais da área estão recorrendo a seguradoras. De acordo com dados divulgados pela Susep (Superintendência de Seguros Privados), no primeiro semestre deste ano, o volume de entradas no Seguro de Responsabilidade Civil Facultativa do Transportador Rodoviário (RCTR-C) e no Seguro de Responsabilidade Civil Facultativa do Transportador Rodoviário (RCF-DC) aumentou 21% em relação ao mesmo período de 2021.

“Eu costumo dizer aos meus clientes que de nada adianta ter um conjunto de cavalo e carreta de R$ 1 milhão de reais se o cidadão que conduz esse conjunto não estiver motivado, engajado, sem o mínimo de benefícios, treinamento e suporte. Atuamos no setor de transportes e logística há quase 30 anos, passamos por poucas e boas, aprendemos muito nessas três décadas e desenvolvemos vários serviços e produtos voltados para o transportador e para o motorista carreteiro, tais como: programas de benefícios no Brasil, Chile e Argentina exclusivos para os carreteiros, onde esse profissional e sua família terão saúde, proteção e o acolhimento que tanto carecem e merecem. Com esse gerenciamento de risco o foco é a proteção da vida dos motoristas e dos demais usuários das rodovias”, explica James.

N.F.Revista Apólice
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