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Qual o caminho da inovação no mercado de seguros?

Estamos imersos em um cenário de inovação e tecnologia em diversos segmentos. Como consumidores comuns, buscamos opções que nos poupem tempo, sejam flexíveis e tenham transparência. Temos maior habilidade de comparar preços e também valorizamos mais os serviços e experiências. Temos, também, mais conhecimento e discernimento na escolha, bombardeados por inúmeras fontes de dado e informação.

Como protagonistas de mercado de seguros e resseguros, enfrentamos um desafio enorme de atender as exigências do novo consumidor com a velocidade e dinamismo que são demandadas. Mas com a devida cautela exigida por um segmento complexo e cuja matéria prima é o gerenciamento de riscos.

Brenda Fucci Cantisano

A percepção geral ainda é de um mercado conservador, atrasado e mais resistente a mudanças, além de efetivamente aquém das evoluções em outros segmentos. Mas será que essa cobrança é justa? Podemos esperar que a velocidade de inovação de um setor de varejo, ou até de outros setores financeiros, seja um espelho para o mercado securitário?

Quando olhamos na perspectiva de demanda e de onde vem essa insatisfação, conseguimos uma lista relativamente grande de onde é possível avançar. O livro “The end of Insurance as we know it” de Rob Galbraith, traz diversos “gaps” detectados no mercado, como, por exemplo, coberturas adicionais menos engessadas, seguros por demanda mais flexíveis, clausulados personalizados e mais dinâmicos, menor complexidade de contratação, mais clareza e melhora de serviços.

Diante de tamanhas oportunidades, o segmento de insurtechs tem voltado a atenção para o setor no desenvolvimento de ferramentas, produtos e soluções inovadoras. A realidade nos mostra que o desafio é grande para ambas as partes, que precisam conversar a mesma língua e aprender, uns com os outros, a tirar o melhor proveito de um mercado com alto grau de complexidade e que necessariamente demanda aprimoramento do conhecimento técnico.

Além disso, pela característica do negócio em si, preocupações adicionais a respeito de projeção e mensuração de volatilidade, assertividade de reserva, alocação de capital, rentabilidade e pricing são naturalmente ressaltadas em qualquer alteração que impacte o cliente final, e acabam, por sua vez, reduzindo a velocidade de mudança se comparada a outros segmentos. Como responsáveis pela garantia de solvência das companhias, atuários de diversos setores trabalham em conjunto com o departamento de inovação, comercial e tecnologia tentando calibrar ideias e mensurar os possíveis desvios que venham afetar os custos e perdas, preservando o compromisso e responsabilidade com o segurado.

Em termos gerais, a vontade de avançar caminha em paralelo com a dificuldade de prever o novo, seus desvios e riscos. Com um papel social relevante na economia, o setor de seguros precisa garantir o pagamento dos sinistros oriundo dos riscos que honrar, que em sua maioria estão atrelados a eventos e comportamentos históricos que se repetem e servem como base para uma previsão e desvios quase sempre mensuráveis. Os dados não caminham na mesma velocidade das mudanças sociais. O tamanho da consequência de flexibilizar uma cláusula, de alterar um produto ou de aceitar mais ou menos coberturas precisam ser estudados com cautela e demandam tempo, ou podem vir a ser fatais.

Podemos afirmar, com total clareza, que de fato existe uma vontade grande do mercado e dos órgãos reguladores de trabalharem em prol desses avanços. Iniciativas regulatórias, de seguradoras, corretores e resseguradores já são assuntos reais no dia a dia do mercado, e efetivamente alavancam esses movimentos.

Quando olhamos especificamente do lado regulatório, o marco mais representativo para o movimento foi o lançamento do sandbox regulatório, movimento iniciado pela Susep (Superintendência de Seguros Pirvados), que promove a inclusão de soluções de seguro tecnológicas e sustentáveis para o mercado regulado, mediante algumas flexibilizações. As insurtechs, por sua vez, são estimuladas a voltarem sua atenção para o setor, e começam a estudar e a se conectar em busca de parcerias e negócio. Do mesmo modo, vemos seguradoras criarem braços da empresa matriz e dedicarem tempo e investimento na geração de oportunidades e novas coberturas para a população, impulsionando seus negócios.

As resseguradoras, por sua vez, também carregam um papel relevante no processo de inovação, sendo um forte e necessário aliado para o setor. Mundialmente utilizados como principais fornecedores de capacidade e com amplo know-how de negócio, tornam-se peça-chave nesse momento de incerteza e demanda por conhecimento, uma vez que fornecem cobertura e assistência necessárias para permitir explorar territórios e oportunidades desconhecidas, indispensáveis à inovação. Apesar de muitas vezes desconhecidas pela população comum, as resseguradoras são fundamentais para a efetiva transformação social do segmento, e são a “mão oculta” que viabilizam todo esse movimento acontecer.

A relação de parceria é fundamental e todos precisam estar alinhados para um movimento único e inédito no mercado de seguros mundial. Trata-se de um desafio imenso para todos os integrantes desse processo, desde atuários, contadores, subscritores e clientes finais, uma vez que aprenderemos juntos a operar com seguros on demand, com contratações pay per use e com clausulados híbridos e menos rígidos.

O que podemos esperar, como consumidores, é um mercado cada vez mais alinhado às nossas necessidades, e que se moderniza em uma velocidade diferente das demais, sem isso ser, necessariamente, ruim. Quando analisamos o tempo e a cautela como consequência do compromisso com os segurados, naturalmente depositamos ainda mais credibilidade em um setor responsável e sólido. Precisamos de calma, e, sobretudo, precisamos de coragem.

* Por Brenda Fucci Cantisano, gerente Atuarial da Austral Resseguradora
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